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rescisão sem advogado

Acordo de rescisão sem advogado vale?

Assinou um acordo de rescisão e agora está com aquela pulga atrás da orelha, pensando se abriu mão de algum direito? Você não está sozinho. Uma decisão recente do Tribunal Superior do Trabalho (TST) mostrou que nem todo acordo extrajudicial é válido, principalmente quando não há advogado acompanhando as partes. Vamos entender, em linguagem simples, o que isso muda na prática e como isso pode te proteger?

O que aconteceu nesse caso julgado pelo TST?

Uma cuidadora de idosos trabalhou entre 2018 e 2020. Quando foi dispensada, assinou um termo de rescisão no valor de R$ 7,9 mil. No papel, constava que aquele pagamento quitava todo o contrato de trabalho, ou seja, depois disso ela não poderia mais reclamar nada.

A empregadora levou esse acordo para a Justiça, pedindo que ele fosse reconhecido oficialmente para encerrar o processo trabalhista que a cuidadora havia ajuizado. A Vara do Trabalho e o Tribunal Regional aceitaram o acordo como válido. Mas o TST pensou diferente.

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Por que o TST invalidou o acordo?

O TST destacou um ponto importante: quando a empresa quer que um acordo extrajudicial seja validado pela Justiça, a lei exige que cada parte esteja acompanhada por um advogado no momento da assinatura. No caso da cuidadora, isso não aconteceu.

O ministro relator explicou que aceitar um acordo assim, sem assistência jurídica, enfraqueceria a função protetiva do Direito do Trabalho. Em outras palavras: o trabalhador poderia ser pressionado ou induzido a aceitar algo que não entende totalmente, perdendo direitos sem perceber.

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Todo acordo extrajudicial precisa de advogado?

Nem sempre. Aqui está a diferença:

  • Acordo só entre as partes, sem ir à Justiça: é um documento particular. A lei não exige, obrigatoriamente, advogado. Ainda assim, é recomendável ter orientação, para saber o que está assinando.
  • Acordo levado para homologação judicial (quando a empresa pede para a Justiça validar): aí a história muda. A lei exige que as duas partes tenham advogado. Sem isso, o acordo pode ser inválido, como aconteceu nesse caso.

Parece detalhe, mas é esse “detalhe” que pode proteger você de abrir mão de direitos importantes sem perceber.

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Acordo de rescisão sem advogado O que essa decisão significa para quem trabalha?

Em suma, essa decisão do TST manda um recado claro: não se pode reduzir direitos trabalhistas ou “apagar” de qualquer jeito. Algumas consequências práticas:

  • Acordos que vão à Justiça sem advogado podem sofrer invalidação. Se o juiz perceber que não houve a assistência necessária, o acordo pode cair.
  • Mesmo tendo assinado um acordo, você pode ainda ter direitos a receber. Se não houve homologação judicial e você não teve orientação de advogado, ainda é possível discutir verbas que não foram corretamente pagas.
  • A presença do advogado equilibra a relação. Normalmente, a empresa tem mais informação, mais estrutura e mais poder de negociação. O advogado ajuda a nivelar esse jogo para que você não saia prejudicado.

No fim, a mensagem é simples: acordo não é “ordem”. Se acontecer sem os cuidados que a lei exige, pode-se questionar.

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Acordo de rescisão sem advogado – Como saber se o acordo que você assinou te prejudicou?

Alguns sinais de alerta que merecem atenção:

  • Você assinou com pressa, sem tempo para ler ou tirar dúvidas.
  • Não recebimento de cópia de tudo o que assinamos.
  • Sentiu que “não tinha escolha”, com medo de perder o que estavam oferecendo.
  • Não teve nenhum advogado explicando o que cada cláusula significava.
  • Desconfiou de valores muito abaixo do que imaginava ter direito (por exemplo, pouco tempo de aviso-prévio, férias não pagas, ausência de multa do FGTS etc.).

Se algum desses pontos bate com o que você viveu, vale a pena rever essa rescisão com calma.

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O que fazer se você já assinou um acordo e está inseguro?

A princípio, sentir-se inseguro depois de assinar um documento é mais comum do que parece, principalmente quando o assunto é trabalho e sustento da família. Alguns passos possíveis:

  • Separe toda a documentação: termo de rescisão, comprovantes de pagamento, holerites, mensagens, e-mails.
  • Anote sua memória dos fatos: circunstância da conversa, ocorrência de pressão, promessas verbais, quem estava presente.
  • Busque orientação jurídica individualizada: cada caso tem detalhes próprios, e só analisando os documentos é possível dizer se há chance de questionar o acordo.

Sem dúvida, você não precisa enfrentar essa dúvida sozinho. Informação clara é o primeiro passo para não abrir mão do que é seu por direito.

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Enfim, se você passou por uma rescisão que te deixou desconfiado, ou foi pressionado a assinar algo que não entendeu, vale conversar com um profissional de sua confiança para analisar a sua situação concreta. E, se quiser, você pode entrar em contato com o escritório Alves Araújo para tirar dúvidas e entender melhor quais caminhos jurídicos se aplicam ao seu caso específico, sempre com orientação responsável e dentro das regras da OAB.

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