Seu navegador não suporta Javascript! Demissão por justa causa: quando é possível a reversão? | Alves Araujo

5 de junho de 2017

Demissão por justa causa: quando é possível a reversão?

Justa causa

Dentro de uma relação de emprego, a maior punição possível para um empregado é a dispensa por justa causa e é uma penalidade aplicada pela empresa que toma conhecimento de um ato faltoso praticado por seu subordinado. Nesses casos, o empregado somente recebe o saldo de salário, décimo terceiro vencido, férias vencidas e salário família não sendo devidas as demais verbas.

Assim como falamos em outro artigo, que você pode conferir aqui (5 motivos que podem levar a uma demissão por justa causa), a justa causa pode ocorrer nos seguintes casos:

  • atos de desonestidade;
  • comportamento irregular;
  • mau procedimento;
  • concorrência à empresa;
  • desídia;
  • violação de segredo da empresa;
  • indisciplina;
  • insubordinação;
  • abandono de emprego;
  • agressão à honra ou ofensa física realizada ao empregador ou terceiros;
  • recusa em utilizar o EPI (equipamento de proteção individual);
  • declaração falsa ou uso indevido de vale transporte, dentre outras práticas.

Mas para a resolução do contrato de trabalho ser válida alguns requisitos devem ser observados pelo empregador, quais sejam:

1) Tipicidade da conduta: O empregador deve enquadrar o mau comportamento do empregado em alguma das hipóteses previstas em lei para a demissão por justa causa.

2) Conduta do empregado: Deve se analisar se o comportamento do empregado foi tão grave a ponto de justificar a aplicação da justa causa.

3) Adequação e proporcionalidade entre o ato faltoso e a penalidade: deve ser aplicado proporcionalmente a pena, considerando a conduta praticada pelo empregado.

4) Autoria: o próprio empregado que deve praticar o ato faltoso.

5) Culpa: o ato faltoso deve ter sido praticado com culpa (negligência, imprudência e imperícia) ou dolo. Nesse pressuposto alguns elementos são analisados pelo juiz, tais como: o nível de escolaridade do trabalhador, a área de atuação profissional e nível socioeconômico.

6) Nexo causal entre a conduta e penalidade: cada falta tem uma punição, com isso não pode o empregador utilizar faltas que acabaram de ocorrer para punir fatos passados.

7) Imediatidade da punição: a pena deve ser aplicada tão logo a empresa tenha conhecimento da conduta faltosa.

8) Ausência de perdão tácito: caso o empregador demore a punir o empregado, considera-se perdoado o ato faltoso, com isso, não mais poderá o empregador aplicar a justa causa.

9) Singularidade da punição: Para cada infração só pode ser aplicada uma pena.

10) Passado funcional do empregado: analisam-se as condutas durante todo o período de serviços prestados. É uma forme de conceder o perdão ao bom empregado, que no momento de descuido praticou uma conduta faltosa.

Desse modo, quando ausentes quaisquer dos requisitos acima que autorizam a demissão por justa causa, esta será revertida para demissão sem justa causa e com isso caberá à empresa realizar a complementação do pagamento das verbas rescisórias, devendo ainda ser entregue ao trabalhador a guia para o levantamento do FGTS e guia para a percepção do seguro-desemprego.

Caso deseje uma análise mais apurada sobre se é possível reverter sua dispensa por justa causa para dispensa sem justa causa, procure um advogado de sua confiança e informe-se sobre o seu direito.


Fonte: Jusbrasil




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