Seu navegador não suporta Javascript! O que é a Fosfoetanolamina e como ela pode ser obtida? | Alves Araujo

20 de julho de 2016

O que é a Fosfoetanolamina e como ela pode ser obtida?

 

Nos últimos meses, a imprensa e as mídias sociais tem noticiado freneticamente a discussão em torno da fosfoetanolamina e muitas pessoas tem nos consultado e manifestado enormes dúvidas sobre o assunto.

Mas afinal, o que é mesmo a Fosfoetanolamina?

A Fosfoetanolamina é uma molécula muito simples e está presente nas membranas das nossas células. Ela é uma conhecida dos cientistas desde 1936, e por ter sido descoberta em tumores de bois, foi estudada de várias maneiras em laboratório para saber o que ela tinha à ver com o câncer.

Recentemente, químicos da Universidade de São Paulo, em São Carlos - SP, aprenderam a sintetizar a fosfoetanolamina e fizeram vários estudos com ela em parceria com outros pesquisadores na área do câncer. É verdade que em vários estudos, sempre em células isoladas de câncer ou em animais de laboratório, a substância funcionava como um inibidor do crescimento de tumores. 

Tal substância estava sendo distribuída a pacientes, que passaram a fazer uso contínuo dessas cápsulas, apresentando até mesmo melhoras significativas em seu quadro clinico, sendo utilizada pelos mesmos como tratamento complementar ao convencional.

O efeito anticâncer dessa substância sintética foi confirmado em vários tipos de câncer, mas como dito, sempre em laboratório ou em animais, nunca em humanos.

Ocorre que fora publicada a portaria IQSC 1389/141, que proibiu a produção e distribuição de substâncias sem as devidas licenças e autorizações dos órgãos responsáveis, como Anvisa e Ministério da Saúde.

Desta forma, a distribuição da substância foi suspensa, o que gerou o ingresso de diversas ações judiciais para continuidade do fornecimento da fosfoetanolamina sintética.


Distribuição através de liminar na justiça
Por não ser considerada uma substância tóxica, a fosfoetanolamina (ou fosfamina) estava sendo entregue gratuitamente por anos. Inclusive havendo até parceria com um hospital na cidade de Jaú - SP.

Porém, em 2014, a USP de São Carlos determinou que as substâncias experimentais deveriam ter todos os registros necessários antes que fossem disponibilizadas à população.

Mas, diante da demora dos órgãos reguladores no Brasil, no que diz respeito a aprovação para estudo da fosfoetanolamina sintética, muitas pessoas estão se sentindo prejudicadas. Alguns portadores de câncer estão conseguindo receber a fosfoetanolamina através da concessão de uma liminar. Com isso, as cápsulas, que não têm a licença da Anvisa, passaram a ser distribuídas somente mediante decisão judicial.

Atualmente existem mais de 800 mil ações ajuizadas objetivando compelir a USP a fornecer a fosfoetanolamina


O direito à 'cura'
É importante que as decisões judiciais se pautem no direito à saúde e o direito à vida, que são garantidos pela nossa CF em seus artigos 5º e 6º, como forma de proporcionar a esperança dos portadores com câncer.

O direito à vida, à integridade física e à saúde tratam-se de direitos fundamentais, inerentes ao cidadão, devendo, portanto, serem respeitados e zelados.

Entendemos que os pacientes, desde que devidamente esclarecidos e inequivocamente conscientes dos riscos inerentes ao uso de uma substância experimental, devem ter acesso garantido ao produto, sendo em muitos casos, uma última esperança de melhor qualidade de vida e de, quem sabe, uma possível cura para uma doença que devasta tantos lares.





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